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Pensos para curar cancros

Comunicado de 11/11/2007

No conjunto do país, os atropelamentos, as colisões e os despistes mortais sucedem-se a um ritmo macabro. Não há praticamente um distrito que não conte um ou mais mortos nos últimos oito dias.

Ontem, ao fim da tarde, deu-se mais uma tragédia no trânsito lisboeta, a terminar uma semana de massacres rodoviários. Desta vez, vitimando os dois principais grupos de risco de morte em ambiente urbano: Um jovem motociclista e um peão idoso.

E, de novo, num dos piores pontos negros da cidade: a Av. Gago Coutinho – uma via que de avenida tem pouco, e onde a CML colocou um radar fixo de controlo de velocidade.

A ACA-M já o tinha dito e lembra de novo : os radares são como pensos rápidos para curar cancros. Têm sobretudo aplicação local. Os veículos reduzem momentaneamente a velocidade e depois voltam a acelerar.

A ACA-M já o disse também e volta a lembrar: sem introdução de verdadeiras medidas de acalmia de tráfego, e sem alteração das cadências de verde nos semáforos, a velocidade automóvel será sempre perigosa para os peões, sobretudo em cidades onde a média etária é tão elevada como em Lisboa.

No domingo, 18 de Novembro, celebra-se o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada. Lisboa e o resto do país terão, infelizmente, muito que esclarecer aos familiares das suas vítimas....

Nota 1: a ACA-M saúda o facto de um governo ter finalmente percebido o que vimos dizendo há anos: não pode haver estratégia de redução da sinistralidade rodoviária, sem coordenação estreita entre ministérios. Ver aqui.

Nota 1: A procuradora-geral distrital de Lisboa, Francisca Van Dunen, recomendou esta semana aos magistrados do Ministério Público que “procedam ao acompanhamento estreito das investigações” relacionadas com acidentes de viação com vítimas mortais ou feridos graves.

Finalmente, parece começar a haver alguma sensibilidade da PGR à “necessidade de realização de perícias aos veículos envolvidos”. Pena é que não se sinta ainda, no Ministério Público, a necessidade de realização de perícias às infra-estruturas rodoviárias onde se multiplicam os acidentes.