
O beijo de Judas
No final de 2005, o Ministério da Administração Interna manipulou despudoradamente 73 associações, escolas e empresas, fazendo-as crer que iria promover um concurso público imparcial para acabar com a iníqua simbiose entre o estado e a “associação” Prevenção Rodoviária Portuguesa.
Ao conhecer a composição do júri do concurso de “segurança rodoviária”, a ACA-M requereu ao Ministro da Administração Interna o impedimento de vários membros do júri dado pertencerem a organismos sócios da PRP (DGV, BRISA e GALP). O requerimento foi indeferido liminarmente.
Conhecidos a 3 de Março os resultados do concurso, é óbvia a inanidade de todo o processo: a PRP foi afinal contemplada com mais de metade da verba, sendo o restante repartido entre a Comsom, uma empresa afiliada da BRISA (que é um dos promotores do concurso, devidamente representada no júri), e a APSI, que com a PRP havia perdido o financiamento da DGV em 2005 e que trabalha também habitualmente com a Brisa.
A ACA-M, com outras associações, tomou a iniciativa de impugnar judicialmente este concurso. Por dois motivos: conflito de interesses por parte de vários membros do júri e falta de fundamentação das decisões.
Há uma palavra que resume o nosso sentimento perante toda esta inqualificável situação: Asco.
Que se anule este concurso e se poupem três milhões de euros, já que é cada vez mais evidente que as campanhas da prevenção rodoviária não surtem qualquer efeito junto dos cidadãos!