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Novo atropelamento na Av. de Ceuta

Comunicado de 2006/10/13

Lamentavelmente, deu-se um novo atropelamento na AV. De Ceuta, esta tragédia não é nem para nós, nem para a maior parte dos lisboetas, surpreendente.

O problema, como é sabido de todos os lisboetas, é, infelizmente, estrutural. A construção de duas urbanizações gémeas atravessadas por uma via rápida com 11 faixas, para alojar os moradores do bairro do Casal Ventoso, está na origem da situação.

Perguntamos nós: quem foram os políticos e os técnicos da autarquia de Lisboa responsáveis pela construção desta armadilha bárbara?

E perguntamos nós ainda: será que os políticos e técnicos responsáveis pela gestão do trânsito da cidade dormiram tranquilamente até hoje, sem ter resolvido urgentemente a situação de absoluta insegurança dos peões que atravessam a Av. Ceuta?

É que não era necessário proceder a estudos de identificação de pontos negros. Os moradores da zona já por diversas vezes alertaram a CML para o perigo daquela travessia. A ACA-M, na sua campanha “Vamos acabar com os pontos negros”, já enviou requerimentos à CML, pedindo a resolução do problema.

Em Maio último quando se deu o atropelamento de uma menina de 8 anos nesta avenida, a ACA-M apresentou um conjunto de propostas com vista a minimizar o risco de atropelamento nesta zona da cidade. Mas é com grande pesar que verificamos que até hoje, nenhuma medida foi tomada nesse sentido.

É terrível constatar que as autoridades só costumam agir sobre os pontos negros que criam depois de alguém neles falecer e de a comunidade exprimir a sua comoção. Não deveria ser esta a postura dos políticos ou dos técnicos face aos cidadãos que se comprometeram servir.

Mas mais inaceitável é mesmo não agir imediatamente sobre uma situação de risco, para prevenir novas tragédias.

A solução passa, na perspectiva da ACA-M, por aceitar corajosamente inverter a lógica brutalista de fluidificação da mobilidade automóvel, que tem prevalecido nas escolhas técnicas e políticas da CML desde há muitos anos, e compreender que a defesa intransigente dos direitos dos peões é a melhor via para a sustentabilidade social da cidade de Lisboa.

Por isso, vimos pedir uma vez mais a assunção de responsabilidades, celeridade na busca de medidas provisórias e coerência na elaboração de medidas definitivas para a resolução do ponto negro que é a travessia entre os Bairros do Cabrinha e do Loureiro.